quinta-feira, 1 de maio de 2014

Você sabe o que é um homem G0y?

O termo gØy, g-zero ou g-y (em pronúncia: “gói”) nasceu nos Estados Unidos nos anos 2000. Há indícios de que o termo tenha surgido no meio social dos surfistas, skatistas, e nas frat houses (fraternidades masculinas universitárias). O termo contrapõe-se aos valores e comportamentos afeminados dos gays em geral. Seria uma espécie de resgate a masculinidade perdida no meio gay.

O uso do zero no lugar do “a” serve para identificar e explicitar que os G0ys são homens que não praticam sexo anal, que geralmente não são afeminados e prezam pela masculinidade. É um termo bastante associado aos jovens da geração atual, já que se tornaram mais liberais com a popularização da internet. Essa “filosofia” começou a ser divulgada no Brasil em 2010 por meio dos blogs.

O hétero liberal ou hétero não normativo (Str8-g0y) sente atração por mulher e por homem, chega a beijar ambos, mas só faz sexo com mulher (tratando-se no sentido da penetração). Apesar de os héteros liberais beijarem rapazes, não se sentem confortáveis em serem rotulados de bissexuais. Afirmam que não se identificam com os valores do mundo LGBT. Há quem chame de uma quarta identidade sexual que vai além do hétero, homo e bissexual. São mais aceitos socialmente, já que possuem a imagem de homens “normais”. Confira esse vídeo de humor do canal Põe na Roda do Youtube:


Há quem enxergue como um movimento machista, homofóbico e misógino, mas a verdade é que em nenhum momento os G0ys mostram uma ideologia preconceituosa ou excludente, apenas não gostam de rotulações. Não se consideram melhor ou pior que ninguém, e nem perseguem gays ou alguma outra tribo. Alegam que da mesma forma que há quem seja contra ao tabagismo, ao alcoolismo e as drogas, há quem seja contra o sexo anal. Dizem que não há perseguição de nenhum tipo.

Essa bandeira foi criada por Joseph Campestri, aqui no Brasil, e vem sendo adotada por g0ys de outros países. A bandeira apenas traz alguns princípios que fazem parte de cada homem que se identifica como g0y. O azul é a cor masculina, e é isto que representa os azuis na bandeira: Azul escuro representa profundidade e intensidade. Azul índigo significa guerreiro por natureza. O branco é a paz e a amizade, e a cor azul turquesa indica integridade.


Há um termo denominado “Bromance” (junção da gíria “bro” da palavra “brother” + “romance”), que foi criado em 1990 e serve para designar um tipo de relacionamento íntimo, mas não sexual, entre dois ou mais homens. Nada mais é que uma amizade entre dois homens que não têm vergonha de expressá-la com medo de parecer gay. É uma relação muito forte, já que não se tem medo de assumir a amizade em público, e nem vergonha de abraçar e/ou beijar o rosto ou qualquer outra parte do corpo por apenas carinho (sem intenção sexual). Tem quem confunda com um relacionamento homossexual, mas não é. Um bom exemplo seria o Batman e o Robin. 

Veja esta música que fala sobre o "Bromance":


* Recomendo o filme I Love You Man (Eu Te Amo, Cara) que aborda o "Bromance":

Sinopse: 

Peter Klaven (Paul Rudd) é um bem-sucedido agente imobiliário que está noivo da mulher dos seus sonhos, Zooey (Rashida Jones). Durante os preparativos do casamento, ele percebe que não tem amigos próximos o suficiente para serem seus padrinhos na cerimônia. Ele resolve conhecer homens para serem seus amigos. Depois de uma série de encontros bizarros com esse objetivo, Peter conhece Sydney Fife (Jason Segel), com quem ele se identifica. No entanto, na medida em que a amizade cresce, mais o relacionamento de Peter e Zooey sofre. 


Assista ao Trailer:


“Pesquisas sobre a amizade e a masculinidade concluíram que os homens das gerações recentes, criados por mães nascidas na década de 1970, são emocionalmente mais abertos e mais expressivos. Há também uma menor preocupação entre os homens quanto à noção de serem identificados como homossexuais, e assim, estão mais confortáveis em explorar amizades mais profundas com outros homens. Verificou-se também que os homens que apoiam fortemente as "visões tradicionais de masculinidade" são mais propensos a alexitimia (dificuldade de entender ou identificar-se com emoções)”.

As mulheres podem expressar seus sentimentos e podem amar suas amigas em público. Os homens se sentem reprimidos por não poderem e cobram por esse direito! Acredito que o surgimento desses termos é um grito de liberdade dos homens que crescem ouvindo que não se pode abraçar, beijar, ou dizer um “eu te amo” para um amigo. A priori seria uma libertação de sentimentos. Os homens ríspidos que tentam provar a masculinidade a qualquer custo estão desaparecendo gradativamente.

Existem três termos muito interessantes e que talvez sirvam como exemplo da identidade G0y na prática:

1.  O termo francês “Gouine” que advém do lesbianismo. Gouinage é o sexo sem penetração, seria como o “sarro” que estamos acostumados a ouvir, mas é mais usado para mulheres;
2. Frot que é uma gíria da palavra Frottage (que vem do francês frotter, que significa friccionar, esfregar), e consiste no ato de dois homens roçarem um pênis no outro;
3. O Docking que é o ato de um homem introduzir sua glande no prepúcio do outro, deixando assim os dois pênis conectados.

Os livros ocidentais de história costumam omitir que na Grécia Antiga, assim como em outras civilizações, o relacionamento entre homens era algo natural. Inclusive acreditava-se que os guerreiros deveriam ter uma relação afetiva muito sólida porque seriam leais uns com os outros na guerra. A homossexualidade na Grécia incentivou o esporte, a literatura, a política, a filosofia e as várias formas de arte, contribuindo para um florescimento cultural. Essa omissão acontece porque a cultura ocidental foi formada depois da supremacia do império Romano. Confira a homossexualidade ao longo da história:


É uma necessidade de nomear uma diversidade de experiências que extrapolam as identidades tradicionais: heterossexual, homossexual e bissexual. A heterossexualidade tradicional que é exigida a todo homem, aquela que em décadas passadas era sinônimo da moral e dos bons costumes, encontra-se hoje em declínio. No final das contas os G0ys buscam por um rótulo próprio e que não se encaixa em nenhum outro existente. 
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9 comentários:

  1. Oi Alysson,
    Não conhecia o termo no mínimo curioso né?
    Abraços,

    www.senhordoseculo.com

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  2. Foi um das melhores e mais completas abordagens sobre g0ys.
    Sou g0y me descobri com tal a mais ou menos um ano e achei o conteúdo do post bem completo. Parabéns!

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  3. Peça para colocar o link do seu post no blog somos g0ys.

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  4. Alysson Rocha, parabéns por essa publicação de qualidade, informativa, esclarecedora e não tendenciosa nem deturpadora.

    Esta publicação está sendo passada para os administradores do g0ys.org (EUA), heterogoy.webnode.com (BR), somosg0ys.blogspot.com (BR), blog0y-br.blogspot.com (BR) e publicada na página Movimento g0y (Facebook) e nas comunidades Espaço g0y e afins (Facebook) e Movimento g0y - Oficial (Orkut).

    Atenciosamente:

    Joseph Campestri

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    Respostas
    1. Obrigado pelas belas palavras Joseph! Agradeço também por sua interação aqui em meu blog. Sinta-se à vontade para voltar aqui quando quiser!

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    2. Não há de quê, você fez um trabalho melhor elaborado do que muitos ditos jornalistas-blogueiros. Trazer os fatos e analisá-los não é para qualquer um.

      Agradeço pelo convite.

      Atenciosamente:

      Joseph Campestri

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  5. As in ancient Greece and with modern g0ys: Anal sex was forbidden.

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